Todos os dias eu me olho no espelho. Mas há tempos não me enxergo... Quando tenho tempo, me encaro profundamente. E percebo que eu não existo mais!

Não sou mais aquela pessoa pontual, que planejava o ano, a semana o dia. Muito menos aquela de agenda cheia.

Não sou mais quem entrega tudo no prazo e quem cumpre compromissos. Muito menos quem aceita convites.

Não sou mais quem organiza a casa. Que se preocupa com as tarefas e os horários. Muito menos aquela que se arruma e se perfuma.

Não sou mais quem vai no cabeleireiro, emenda na drenagem e sai pra um café.

Não sou mais quem manda nudes e fala que está com saudade. Nem aquela que espera acordada na cama.

Mas passei a ser aquela mãe que irá perder a paciência, pra é o colo mais acolhedor do mundo.

E por isso irá perder a hora, as vezes esquecer um compromisso e escolher não sair. Ou sair com o tempo contado, muitas vezes doida pra voltar.

Passei a ser a mulher que deixa a casa do jeito que está, só para poder aproveitar e cuidar mais da sua cria. E uma mulher que escolhe se sentir bem, independente da roupa ou da maquiagem. Que trocou o perfume importado pelo cheirinho de vômito do seu bebê.

Passei a ser quem toma o café em casa, muitas vezes morno ou quase frio. O cabelo fica do jeito que da e a unha tratada com pomada anti assaduras.

Se eu me perdi? Não! E nem tô tentando me reencontrar. Eu apenas deixei de

existir. Deixei de existir para me reconstruir.

Me acolhi e estou agora descobrindo um novo e delicioso jeito de ser!